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Confraria do Fusca de Florianópolis

Dicas para Abertura das Fendas das Bananinhas

Apresentação

Muitas podem ter sido as razões que levaram os antigos proprietários de Fuscas e Kombis a decidir pelo fechamento das fendas das bananinhas. De fato, a regulagem era difícil, a manutenção era complicada e não era nada fácil encontrar peças e profissionais para consertá-las.

Devido à localização e ao design , as bananinhas eram extremamente vulneráveis às intempéries. Além disso, era muito corriqueiro retornar ao veículo que havia sido deixado estacionado e encontrá-las danificadas ou quebradas pela ação de vândalos ou curiosos.

Desgostoso, o proprietário resolvia trocar as bananinhas por um acessório conhecido como “orelha de padre”, mas na maioria das ocasiões acabava “modernizando” o sistema de sinalização instalando piscas dianteiros e trocando as lanternas traseiras.

A “orelha de padre” preservava a fenda, porém, a vedação deficiente somada ao pó e à umidade, com o passar do tempo dava início à corrosão da coluna. Diante disso, o fechamento da fenda era quase certo e o método utilizado variava de profissional para profissional. Alguns simplesmente enchiam-na de massa plástica (que podia trincar). O mais comum era a soldagem de uma chapinha no local. Aliás, cabe aqui um alerta: bastante atenção na hora de reabrir a fenda, pois embora remota, há possibilidade de encontrar a bananinha inteira enclausurada ou parte remanescente de sua estrutura.

O desafio para a honrosa missão está lançado: reabrir a fenda, devolver a originalidade ao veículo e resgatar um capítulo importante da história automobilística mundial.

 

Considerações preliminares

•  De início, convém ressaltar que é de fundamental importância ter em mãos as bananinhas originais e em condições plenas de funcionamento (ao menos uma, ainda que apenas emprestada). O que ocorre é que apesar da localização ser padrão nos Fuscas Sedan, durante a execução do trabalho serão feitas algumas conferências de medida e ajustes no alinhamento.

•  Certifique-se de que a coluna em que será feita a reabertura é a original do veículo, pois existe a possibilidade de que a mesma tenha sido substituída por alguma razão desconhecida.

•  Não é possível, a princípio, instalar as bananinhas em uma coluna que não seja a original, pois internamente existem pontos específicos de encaixe, regulagem e fixação.

•  O trabalho de reabertura das fendas não requer um profissional da área. Basta um pouco de habilidade manual, capricho, paciência e principalmente vontade de ter um trabalho bem feito. Aliás, se optar por delegar este serviço, recomendamos acompanhamento. Dizemos isso porque já vimos alguns “profissionais” utilizarem disco de corte, marreta e até mesmo talhadeira para executar a “obra”. Os resultados foram desastrosos, pois a fenda possui dimensões relativamente pequenas e o trabalho é delicado, artesanal, quase cirúrgico.

 

Material básico

Procure manter tudo à mão para facilitar o trabalho:


-           furadeira;
-           brocas aço rápido de 5 e 2 mm;
-           lima chata;
-           trena ou régua;
-           paquímetro;
-           lixa para metal;
-           espátula;
-           alicate;
-           fita crepe (tartan);
-           lápis;
-           pincel p/ limpeza (aprox. 1 cm de largura);
-           lanterna;
-           ponta montada cilíndrica, para metal, de    aproximadamente 8 a 10 mm de diâmetro (a ser usada com furadeira ou retífica manual);
-           serrinha flexível para metal;
-           removedor de tinta pastoso;
-           thinner;
-           estopa;
-           jornal velho;
-           espelhinho *

* O “espelhinho” mencionado pode ser facilmente confeccionado com um pedaço de arame devidamente modelado e um pequeno retalho de espelho (2 cm x 2 cm) fixado com “silver tape” ou fita crepe. Observe que deve existir um ângulo um pouco maior que 90 graus e que a parte espelhada deve ficar voltada para o cabo (lembre-se do espelhinho do dentista, que aliás também pode ser usado, caso haja algum disponível). Mais adiante você verá a grande utilidade desse instrumento. De qualquer forma, veja como é fácil montar um:

 

Procedimentos passo-a-passo

1. Iniciaremos nossa empreitada pela coluna do lado do motorista . Portanto, a descrição dos procedimentos e as fotografias referem-se especificamente a este lado do veículo. Para trabalhar na coluna do lado do passageiro basta inverter e interpretar o descritivo no que diz respeito aos lados (direito e esquerdo).

2. O primeiro passo é isolar a área da coluna a ser trabalhada com a utilização de fita crepe e jornal. Como o trabalho será feito com a porta aberta, proteja o estribo, os frisos, o carpete e o assoalho da porta, pois os pequenos resíduos de metal (limalha) enferrujam com extrema facilidade.

3. Aplique o removedor na área isolada a fim de retirar completamente a tinta e o fundo. Raspe com a espátula expondo totalmente o metal. Conclua a limpeza com um pequeno chumaço de estopa embebido no thinner. Feito isso, geralmente já é possível ver o contorno da chapinha que foi soldada.

4. Utilizando a furadeira, com a broca de 5 milímetros faça uns 4 furos na área interna desse contorno, conforme mostrado na fotografia a seguir.

5. Com a lanterna, ilumine o interior da coluna. Veja se consegue enxergar a parte interna inferior da fenda. Você encontrará uma pequena plataforma, ou seja, um fundo fechado nessa parte inferior. Observe, nas foto da fenda abaixo já reaberta, o aspecto dessa plataforma.

6. A visualização e a correta localização dessa plataforma é fundamental, pois indica o ponto exato do limite horizontal inferior da fenda. Vá fazendo furos para baixo (sempre dentro do contorno) até chegar próximo da plataforma, ressaltando que o acabamento você fará mais tarde, com a lima.

7. IMPORTANTE: tenha em mente que a fenda original tem 17,7 centímetros de altura e 18 milímetros de largura. Assim, como você descobriu onde é o limite inferior, já pode ter uma idéia de onde fica o superior. Pegue o lápis, e com o auxílio de uma régua, marque um traço horizontal de fora a fora na linha do limite inferior. Depois, suba 18 centímetros e marque também o limite horizontal superior.

8. O próximo passo é descobrir onde fica a linha do limite vertical esquerdo e depois o direito. Para isso, faremos uma estimativa com razoável margem de segurança: encoste uma régua na lateral da coluna e meça 8 milímetros.

9. Note que a foto mostra “6 mm”, mas perceba que ela foi tirada com a fenda já reaberta. Repetimos: é necessário que você trabalhe com uma pequena margem de segurança, é por isso que marcaremos nos “8 mm”. A seguir, faça ao menos três dessas marcações a lápis e trace uma linha vertical. Esse é o posicionamento provisório/aproximado do limite vertical esquerdo da fenda (lembre-se que estamos nos referindo à coluna do lado do motorista).

10. Em seguida, ainda com a broca de 5 milímetros, vá fazendo furos próximos a este limite vertical esquerdo, respeitando a margem de segurança adicional de uns 2 a 3 milímetros. Essa abertura agora deve ser alargada em direção ao lado direito, devendo ficar com uns 8 ou 9 mm (como na foto anterior). Cautela nessa hora. Assegure-se de estar perfurando nos limites internos da chapinha soldada, e não o metal original da coluna .

11. Utilize a furadeira, a serrinha, o alicate e a lima. Vá até as proximidades do limite superior que você traçou.

12. Agora finalmente chegou a hora de descobrir qual é o “segredo do espelhinho”: segurando-o pelo cabo, coloque-o dentro da abertura que você acabou de fazer. Com o auxílio da lanterna, visualize a parte interna (as costas da chapa), rente à soldagem da chapinha. O que ocorre, é que devido à sua localização, é fato que não foi possível fazer o acabamento interno da solda. Assim, percorrendo verticalmente com o espelho, é quase certo que você distinguirá com nitidez a chapa original, a chapinha aplicada e os pontos de solda. Essa é a forma racional para descobrir, com precisão, a localização do limite lateral esquerdo ORIGINAL da fenda.

13. Veja se consegue visualizar também o limite direito. Verifique se a distância entre os dois limites verticais é de aproximadamente 18 milímetros (largura final da fenda). A partir daí, com régua, lápis e bom senso, você já pode fazer as marcações praticamente definitivas da fenda da coluna (18 centímetros de altura X 18 milímetros de largura).

14. Caso não seja possível determinar este posicionamento com a ajuda do espelho, ainda resta uma alternativa. Observe as fotos:

15. Nunca é demais repetir que essas fotos retratam o trabalho de reabertura da fenda já concluído . Perceba os 6 milímetros de distância entre a lateral da coluna e o limite vertical esquerdo da fenda. À primeira vista pode até parecer mais simples que o procedimento anterior, mas infelizmente não é um método confiável devido às seguintes variáveis: quantidade de massa e de tinta na superfície, desgaste ou deformação da coluna, etc. Mas na impossibilidade de aplicar o método do espelhinho, entendemos que é uma saída aceitável para definir, por aproximação, a localização do limite vertical esquerdo.

16. Vale dizer que se você tiver oportunidade de conferir algumas fendas (quer sejam reabertas, quer sejam originais de fábrica), certamente vai se deparar com medidas e posicionamentos que podem variar de 2 a 5 mm. Tal oscilação é aceitável, pois o sistema de fixação da bananinha permite uma pequena regulagem horizontal e vertical.

17. Vamos adiante: como a posição e o contorno da fenda já estão definidos, basta dar prosseguimento ao trabalho com a furadeira. Nessa etapa é interessante fixar fita crepe para indicar e delimitar a área que será perfurada. Cuide para que a fita crepe seja colada bem reta (confira com uma régua flexível ou com as costas da serrinha). Todo cuidado é pouco. Alterne a utilização das brocas (grossa e fina), serrinha, alicate, ponta montada, cuidando sempre para deixar uma margem de segurança, pois o acabamento final sempre ficará por conta da lima.

18. Trabalhe a todo o instante conferindo as medidas e o alinhamento horizontal e vertical (principalmente). Para isso, use a régua, o paquímetro e o bom senso.

19. Procure sempre limpar o interior da cavidade com o auxílio de um pincel.

20. Estamos chegando ao momento mágico tão esperado. Veja se a bananinha entra com facilidade na fenda. Em caso negativo, basta limar um pouco mais a lateral direita da fenda (e o superior, se for o caso).

21. INSTALAÇÃO DA BANANINHA : não é tão complicada, mas requer alguns cuidados especiais. Primeiro, identifique na traseira superior da bananinha, uma chapinha saliente em “L”.

22. Localize a seguir, através da fenda, na estrutura da parte interna superior da coluna, uma pequena alça.

23. Introduzindo a parte superior da bananinha na fenda, encaixe a ponta da chapinha “L” na alça. Comece a levantar o braço articulado da seta ao mesmo tempo em que você empurra o restante da estrutura da bananinha para cima e para dentro. Fixe a base da bananinha com o parafuso, sem apertar com muita força. Abaixe o braço articulado a fim de conferir o alinhamento da bananinha, e, se for o caso, levante manualmente o braço articulado mais uma vez a fim de fazer os ajustes. Com o auxílio de uma chave de fenda, movimente cuidadosamente, conforme a necessidade, a base de fixação da bananinha (por enquanto não há necessidade de conectar os fios).

Missão cumprida!

 

Recomendações finais

- A fenda é a “moldura” da bananinha, portanto capriche no acabamento. Lime as rebarbas (inclusive as internas), lixe, confira as medidas e o alinhamento (perfil) da chapa.

- Trate imediatamente a superfície do metal com produto adequado e de qualidade. Passe um bom fundo anticorrosivo antes de mandar para a pintura.

- Caso não consiga concluir o trabalho no mesmo dia, aplique algum produto anticorrosivo de fácil remoção (ex.: óleo spray).

- Para sua segurança utilize equipamentos de proteção individual tais como óculos e luvas.

- Proteja também os vidros antes de começar a trabalhar (principalmente se forem “Sekurit” originais. Alguma ferramenta pode escapar...

- O mecanismo articulado é bastante sensível. Um levantamento manual descuidado da seta pode danificar o sistema, pois há um ponto específico a ser pressionado. Além disso, uma desregulagem ou até mesmo a ação do tempo (ferrugem) podem ocasionar o mau contato elétrico ou travamento do braço. Para liberá-lo talvez seja necessário destravar, com um arame ou uma chave de fenda fina, um pequeno calço existente na parte superior da bananinha. Por essas e outras razões é recomendável estudar e compreender bem o funcionamento e as regulagens da bananinha.

- Se as colunas não forem as originais, nem tudo está perdido, pois é possível encontrá-las à venda (avulsas) no mercado internacional de peças.

- O limite horizontal inferior da fenda é rente àquela plataforma interna (fundo fechado), que por sua vez é levemente inclinado a fim de permitir o escoamento da água em caso de chuva. No entanto, por ser uma área vulnerável à ferrugem, quando lavar o carro ou por descuido pegar chuva, lembre-se de secar bem o local (uma idéia: use um secador de cabelo), aplicando por fim um pouco de óleo spray anticorrosivo, cuidando para não atingir a parte elétrica da bananinha.

Ressalvamos que o método descrito nesse artigo não tem qualquer pretensão de se considerar único e soberano. É evidente que aprimoramentos e variações são possíveis, não obstante, temos a convicção de que os procedimentos básicos foram suficientemente abordados.

Em caso de dúvidas ou sugestões, entre em contato com a Confraria do Fusca | Florianópolis .

Aqui se leva o Fusca a sério .

FONTE: Confraria do Fusca de Florianópolis - http://confrariadofusca.gwb.com.br/

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