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Voltar para Página sobre a Confraria Confraria do Fusca de Florianópolis
A existência de um procedimento deste tipo, de valor gigantesco para os entusiastas (por revelar itens históricos únicos do seu objeto de paixão e por ser uma verdadeira certidão de nascimento de seu carro) prova materialmente a existência de um respeito pleno da montadora para com o seu passado; deste modo, o elo fabricante/consumidor não se apaga, tenham passado quinze ou cinqüenta e sete anos... essa postura de respeito pelo consumidor e pelo seu produto (ainda que já antigo) é uma verdadeira filosofia que demonstra os valores e a mentalidade daqueles que produziram o Carro do Século XX, entre outras maravilhas. A história da Volkswagen é riquíssima e já foi tema de algumas dezenas de livros. O respeito que a montadora tem com seu passado, com sua história, é um fato inegável e se torna um incentivo aos entusiastas que se esforçam para preservarem os seus carros, além de se constituir como uma referência sólida aos que pesquisam por informações ao realizarem uma restauração. Tal postura de tão respeitosa e coerente mentalidade se mostra pela própria existência do AutoMusem, instituição criada ainda na década de 1950 para abrigar os exemplares mais significativos da história da Volkswagen e, posteriormente, também das outras marcas as quais a montadora incorporou ao grupo. Para lá foram levados modelos Volkswagens já produzidos, e para lá iam os carros ainda novos, para constituir acervo. Não foi por ser um museu que eles esperaram os veículos se tornarem antigos para os deslocarem; não, para lá levavam os carros significativos (históricos) muitas vezes ainda “zero quilômetro”, além de unidades de séries comuns. Mas, no caso que nos mais interessa, o brasileiro, como se dá a postura da Volkswagen do Brasil para com sua história? Será do mesmo modo que a matriz alemã? Ou não? Tentaremos argumentar sobre essa questão não na base de “achismos”, o que seria erro, mas a partir da apresentação dos fatos. A Volkswagen do Brasil foi fundada em 1953, e se naquele ano apenas montava os CKDs que vinham da Alemanha, em 1957 já produzia a Kombi nacional e, dois anos depois, o Sedan brasileiro.
Fato número Dois: a Volkswagen do Brasil não atende às solicitações feitas por proprietários de veículos por ela produzidos em tempos cronologicamente mais distantes do presente. Ainda que tu escrevas cartas e mais cartas, que tu envies e-mails e faças mil telefonemas, nunca te responderão sobre aquela dúvida da cor original do teu Sedan 1961. São vários os relatos que entusiastas brasileiros que procuraram entrar em contato com a montadora atrás de informações e que nunca são atendidos em seu intuito. Conclui-se, a partir da exposição deste fato, ou que a montadora não acha interessante se dar ao trabalho de pesquisar em seu arquivo para auxiliar os proprietários de antigos Volkswagens (que são os únicos que os preservam, pois a própria fábrica não o faz) ou que, de fato, não existem mais arquivos que possam ser base de consultas a questões como as que tão freqüentemente ocorrem àqueles que procuram saber mais sobre seus carros. A Volkswagen do Brasil já sofreu infortúnios tal como incêndios; talvez parte do arquivo tenha sido destruída, e que pouco tenha restado. Ou talvez ainda nunca um arquivo organizado tenha existido, em que constassem as modificações realizadas, as exatas descrições dos produtos oferecidos, os números de produção... é claro que esta última idéia soa absurda; porém, em se falando de preservação histórica em nosso país, o descaso não parece ser exceção, mas sim procedimento padrão. Caso a Volkswagen do Brasil ainda possua um arquivo consistente das suas realizações feitas nos anos passados, já passa da hora de disponibilizá-lo de algum modo aos interessados, seja respondendo (ou procurando responder) àqueles que os questionam, seja compilando esse material em publicações especiais... "folderezinhos" sobre o cinqüentenário da montadora não resolvem a questão, tampouco "fotinhos " com "textinhos" em seu site oficial! Fato número Três: a Volkswagen do Brasil não demonstra trabalhar pela preservação do seu passado, não é política da montadora brasileira. Ela não procura correr atrás do prejuízo, não procura compor, ainda que tardiamente, um acervo histórico que possa ser disponibilizado aos interessados. Se ela de fato acha que mandar à Alemanha meia dúzia de exemplares resolve a questão, apenas lamentamos em profundidade inadjetivável. Não existe na Volkswagen do Brasil, até onde consta, um setor especializado na área histórica e de preservação do passado da marca. Os poucos feitos que são esporadicamente realizados não dão conta da demanda nem são em quantidade/qualidade suficientes. Será então que o que de fato vale para eles é apenas o dinheiro ganho com a venda de veículos zero quilômetro? Assim, os antigos veículos por eles fabricados já não mais teriam utilidade empresarial? Ainda que considerassem oficialmente que, de fato, “carro velho” não dá mais lucro à empresa, grande bobagem estariam fazendo: os carros hoje antigos que outrora eles fabricaram ajudam a perpetuar a idéia de durabilidade dos produtos, são uma propaganda sempre atraente e gratuita da marca, além de criarem um laço afetivo com o consumidor, por encontrar em produtos da marca ligações com seu passado pessoal. Não basta apenas dizerem e declararem que se importam com sua história; precisam mostrar, por "A + B", de que modo isso vira ação prática na empresa, se é que isso ocorre... se de fato importam-se com seu passado, de que modo fazem isso? O caso em questão não é único: as demais montadoras estrangeiras que se estabeleceram no Brasil inicialmente (Ford, Chevrolet e Fiat), ao modelo da Volkswagen do Brasil, também fazem muito pouco esforço no sentido de preservarem as suas histórias. Seria então de fato um procedimento tipicamente brasileiro o de descaso? Tomara que não. Em todo caso, Volkswagen alemã se importa com seu passado, e muito, tal qual a Ford norte-americana, entre outras... no exterior. Aqui, por enquanto, faltam ações. Já imaginaram que experiência única seria, no mesmo espaço físico, estarmos diante de carros como o primeiro Fusca nacional? ou o primeiro 1300 fabricado? ou diante do último “1600 4 portas” que saiu da linha? e quanto ao protótipo SP-3? Infelizmente esses carros citados não existem mais, mas poderiam ainda existir se um dia tivese sido a intenção da montadora a de eternizar aquilo que fez e que foi o sentido de sua existência: os seus carros. Muitos ainda podem ser salvos e constituírem um acervo. Dificilmente encontraremos por aí Volkswagens antigos sem uso algum, imaculados e totalmente originais de fábrica, como a maioria dos exemplares do acervo do AutoMuseum, mas ainda assim há muito o que preservar. O que está em jogo não são apenas carros, é a nossa história como indústria automobilística e nossas histórias pessoais. Enquanto nada de efetivo é feito, continuemos a preservar nossos carros: ao que tudo indica, o futuro do passado da Volkswagen do Brasil dependerá, infelizmente, apenas e exclusivamente, de nós. _________________ FONTE: Confraria do Fusca de Florianópolis - http://confrariadofusca.gwb.com.br/ Voltar para Página sobre a Confraria |
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